Liberte-se de seus traumas para conseguir ser feliz sem disfarces

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Liberte-se de seus traumas para conseguir ser feliz sem disfarces

É mais fácil encontrar insegurança nas pessoas do que preparo para enfrentar a vida. E a felicidade autêntica também é muito mais rara do que queremos acreditar.

O médico e psicanalista Wilhelm Reich, que morreu em 1957 e chegou a ser preso por suas ideias revolucionárias expostas em livros como A Revolução Sexual e A Função do Orgasmo, tinha uma visão precisa do que acontece com as pessoas.

Ele explicava que, ao nascer, a pessoa está pronta para usufruir os prazeres da vida, mas aos poucos vai adquirindo couraças no corpo em função de suas vivências negativas ou traumáticas.

Reich era discípulo de Freud, de quem depois se afastou, mas herdou do gênio da Psicanálise a base para formulação de suas teorias. E ambos são estudados e seguidos até hoje com o respeito que seus nomes e suas histórias inspiram.

É fácil perceber que Reich estava certo. Basta observar a diferença entre as pessoas em função das suas vivências. Umas são espontâneas, reduzem os medos a obstáculos que se dispõem a enfrentar, compreendem que a sexualidade é algo que deve ser vivenciado de maneira saudável e prazerosa, conseguem estabelecer relacionamentos sadios nos quais se comportam com afetividade espontânea, sem fingimentos e falsidades.

São pessoas que se dispõem a oferecer e a receber carinho autêntico. Não encaram uma relação como algo que possa ocorrer sem afeto e sentimento verdadeiros.

Outras se tornam frias e distantes, têm muitas vezes aversão à sexualidade, se fecham à afetividade e descreem da existência do amor.

Essas diferenças podem ser identificadas não só nas pessoas como também entre os povos. Há pessoas frias e países onde essa frieza humana é quase que uma característica infalível.

Os povos latinos, por exemplo, são considerados mais quentes. Já os europeus e asiáticos são considerados mais frios. O abraço afetuoso não é tão comum por lá como por aqui, falando-se em afetuosidade sincera, é lógico, porque – como já frisamos – essas diferenças existem entre os povos mas também entre as pessoas. Não se pode dizer, portanto, que todos os europeus e asiáticos são frios e que todos os latinos são quentes.

E a que nos remete o estudo de Reich? Obviamente à infância, de onde provém praticamente todos os traumas.

Deparo-me com muitas críticas (algumas bastante agressivas) quando defendo educação sem surras. Pessoas que apanharam dos pais na infância, embora demonstrem claramente seus bloqueios afetivos, negam-se a reconhecê-los e teimam em dizer que esses episódios da infância não influenciaram em suas personalidades. Evidentemente, recusam-se apenas em admitir o óbvio, até para tentarem justificar a maneira como tratam suas próprias crianças.

Um francês certa vez me disse que seus compatriotas são frios porque na França os imóveis são muito pequenos, os adultos ficam mais propensos à irritação e as crianças acabam sendo espancadas com frequência. Já visitei a França mas fiquei em hotel e não em apartamentos de família. Esse francês, portanto, tem mais autoridade para dizer o que disse. Mas sei que na França muitas lojas colocam logo à porta um aviso de que é proibido entrar com crianças, mas as madames entram com seus cachorrinhos. Não que os animais não sejam merecedores de carinho. Lógico que são. Mas fica difícil imaginar que uma madame trate seu cachorrinho como um bebê e seus filhos como cachorros. E é o que muitas vezes acontece.

Evidentemente não estamos nos referindo aqui apenas aos maus tratos físicos de que são vítimas as crianças, pois o massacre psicológico também é frequente e o efeito é igualmente traumático.

Frases ríspidas de desencorajamento, de críticas às vezes ferozes (aquele cão raivoso que muitas vezes está dentro de nós) e o completo desconhecimento de que palavras e atitudes de incentivo pelo que está certo educam, enquanto maus tratos revoltam e infelicitam, são as causas de se começar a produzir na infância as carcaças identificadas e apontadas por Reich em seus estudos.

Uma conclusão infelizmente é inegável: todos temos, em menor ou em maior grau, essas carcaças no corpo. A intensidade e quantidade delas é variável, tanto maior quanto a quantidade e a intensidade de que fomos vítimas de maus tratos físicos e psicológicos na infância. E igualmente tão variável quanto a quantidade e a intensidade dos nossos esforços que serão necessários para nos livrarmos delas.

Essas carcaças não têm efeito negativo apenas nas pessoas no sentido de torná-las menos abertas à felicidade, à afetividade e à espontaneidade de gestos que sejam indubitavelmente verdadeiros (nunca nos esquecendo de que existem felicidades falsas e fingidas). Refletem-se também na tendência dessas mesmas pessoas em se tornarem intolerantes ou incompreensivas em relação aos erros e falhas humanas, que por sua vez são muitas vezes também resultantes dessas couraças que transformam o que se chama de ser humano em verdadeira armadura de aço.

Duas providências para trilhar com mais facilidade o caminho para a felicidade são, portanto, indispensáveis: libertar-se dessas couraças, o que será mais fácil ou mais difícil na dependência de sua quantidade e intensidade. E a segunda, irrecusável: aprender a lidar com as crianças para torná-las felizes e capazes de construir um mundo mais feliz como consequência natural de uma árvore que, sendo boa, estará mais capacitada a produzir bons frutos.

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