O mundo pode sair da crise se acabar com a ignorância

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O mundo pode sair da crise se acabar com a ignorânciaEste blog não é sobre socialismo, mas sim sobre empreendedorismo. Não é, portanto, um blog de natureza política, embora a política sempre esteja, direta ou indiretamente, associada a todo comportamento humano. Não resumimos o mundo em direita e esquerda, até porque, na maioria das circunstâncias, são conceitos historicamente ultrapassados ou mal compreendidos. Existe um caráter maniqueísta em grande parte do que poderia ser aquilo a que costumamos chamar de debate. E uma incompreensão quanto ao fato de que o mundo pode sair da crise se acabar com a ignorância.

Quando nos referimos a estatísticas e a levantamentos em âmbito mundial, nosso objetivo não é analisar o fato em seu aspecto político, mas sim sob a ótica dos empreendimentos que podem ser promovidos para mudar realidades perversas. E, efetivamente, há situações absurdas.

O que aumenta é a desigualdade

Por exemplo: segundo relatório da ONG britânica Oxfam, apenas 80 pessoas detinham, no ano de 2015, a mesma O que aumenta é a desigualdaderiqueza que metade da população mundial, ou seja: essas 80 pessoas detinham a riqueza no mesmo volume que estava nas mãos de 3,5 bilhões de pessoas. Mais grave ainda: essa desigualdade vem aumentando, pois, em 2013, o total era de 85 bilionários para alcançarem essa exorbitância, sendo que, em 2009, era preciso somar a fortuna de 388 bilionários para atingirem o mesmo patamar de riqueza.

Sabemos perfeitamente que o termo ONG (Organização Não Governamental) já provoca, de início, a ojeriza de certos segmentos. Como tudo na vida, existem ONGs sérias e outras cuja credibilidade pode ter que ser avaliada. E aí chegamos a outro ponto da radicalização que invade um ambiente fortemente polarizado: a predominância do preconceito e da irresponsabilidade.

O mundo pode sair da crise se acabar com a irresponsabilidade

O mundo pode sair da crise se acabar com a irresponsabilidadeÉ irresponsabilidade dizer que todas as ONGs não prestam, pois isso seria uma generalização. E as generalizações não primam exatamente pela inteligência nem obrigatoriamente pelo bom senso. É irresponsabilidade também fazer acusações a ONGs apenas com base em achismos com o simples propósito de rebater críticas e até dados científicos. O achismo passou a dominar esse debate polarizado no lugar do conhecimento. A irresponsabilidade é resultado disso.

Ouço de empreendedores bem antenados com a realidade atual que as pessoas hoje não estão interessadas em aprender, mas apenas em resolver seus problemas ou suas dores, como chamamos, sem precisar entrar em detalhes ou explicações. A superficialidade é a tendência da moda. E quando isso invade questões da maior seriedade torna-se um perigo.

O mundo pode sair da crise se acabar com a ignorância

Vamos falar de forma simples: não podemos achar que o açougueiro pode fazer uma cirurgia só porque ele sabe O mundo pode sair da crise se acabar com ignorantescortar carne. Pode parecer um raciocínio simplório, mas retrata bem a realidade atual. Termos como esquerda, na visão radicalizada da direita, transformam-se em meros chavões. Saem da boca dessas pessoas expressões como socialismo sem que nunca tenham lido nada da literatura nem refletido sobre o tema com seriedade.

Eu posso me opor ao socialismo, se essa oposição resultar de seriedade na análise do tema, mas não da ignorância histórica nem da completa inobservância da realidade do mundo. Quer um exemplo que ilustra muito bem isso? Já ouvi de alas radicais de direita o endeusamento de um antigo (e já falecido) candidato à presidência da República que se destacou pelo seu bordão Meu nome é Enéas. E já publiquei em meu canal no YouTube, na própria voz de Enéas, elogios à filosofia socialista e pesadas críticas às privatizações.

Ignorância que fabrica mitos

Ignorância que fabrica mitosDe onde vem o apoio dessa ala radical da direita ao ex-candidato que louva a filosofia socialista e critica as privatizações? Da ignorância, do desconhecimento em relação até mesmo ao que disse aquele que eles agora nomeiam como líder inconteste. É dessa ignorância e desconhecimento que emergem falsas lideranças políticas e supostos mitos.

Quer outro exemplo? Abra um canal no YouTube que trate apenas de superficialidades, de diversão barata, da rejeição a qualquer tipo de seriedade ou de um monte de bobagens. Vai fazer sucesso. Abra outro canal onde se façam análises sérias e profundas sobre a realidade do mundo atual. Será um forte candidato ao fracasso.

Hora de acabar com rejeição ao aprendizado

Parafraseando a frase desse empreendedor a quem me referi agora há pouco, um raciocínio bem simples resume o momento atual: não tente ensinar às pessoas como funciona um relógio, se elas só querem saber as horas.Hora de acabar com rejeição ao aprendizado

Saber como funciona um relógio pode ser de fato conhecimento dispensável para quem realmente só quer saber que horas são, embora seja evidente que da precisão de alguns relógios podemos perfeitamente duvidar. Mas isso pode representar pouco risco, como nos atrasarmos para um compromisso, o que aliás já virou tradição no Brasil.

Risco maior está em querer se posicionar diante da realidade sem conhecê-la, como já vem também se tornando tradição. E é dessa ignorância predominante que alguns se consideram aptos em transformar em realidade apenas o que é fantasia, preconceito ou fanatismo idiota. Aliás, cometo aqui uma redundância, pois todo fanatismo está contaminado pela idiotia.

Combater desigualdade não é comunismo

Mundo seria melhor sem tanta desigualdadeEm percentuais a desigualdade do mundo também mostra cifras absurdas. Apenas a parcela de um por cento mais rico da população mundial está perto de 50 por cento da riqueza. Em 2009 já detinha 44% da riqueza. Em 2013 já havia alcançado 48 por cento. Segundo previsões também já desatualizadas da Oxfam, a participação deveria passar de 50 por cento em 2016. (Clique aqui para ler a reportagem publicada no portal Pravda.ru). Não tivemos ainda a oportunidade de acessar levantamentos mais atuais. Mas custa-nos crer que essa progressão tenha se alterado, porque nada se fez para que isso mudasse.

Essa escala de desigualdade global não se resume a uma questão ideológica, mas fundamentalmente econômica. O economista Thomas Piketty, que lançou obra bem fundamentada analisando a economia global (CLIQUE para assistir entrevista no Roda Viva), observa que o mínimo que se pode esperar é que haja proporção. “Tudo bem existirem pessoas muito ricas. Mas os diferentes grupos nas sociedades – os ricos, a classe média e os pobres – devem crescer mais ou menos na mesma velocidade a longo prazo. Se os ricos crescem 3 ou 4 vezes mais do que o tamanho da economia, deve-se entender que isso não pode continuar para sempre, caso contrário a divisão da riqueza nacional chegará a 100 por cento para os grupos de cima.”

Por novas formas de trabalho honestoPor novas formas de trabalho honesto

Piketty considera que, entre outras consequências desastrosas, isso seria uma ameaça às instituições democráticas, porque o poder do dinheiro privado na política pode tornar-se excessivo quando se tem uma concentração extrema de renda.

Conclusão óbvia disso tudo: novas formas de enriquecimento devem ser incentivadas, mediante, obviamente, o trabalho honesto. E que esteja ao alcance de amplas parcelas da população.

Necessidade exige empenho e esclarecimento

Necessidade exige empenho e esclarecimentoO trabalho formal está relativamente estagnado em várias regiões. A oferta de emprego não atende a demanda. Os jovens saem das universidades sem muita perspectiva de emprego. O mercado formal, no modelo tradicional, está preso a limitações. Quanto a economia sofre abalos, os postos de trabalho diminuem, algumas pessoas são demitidas, novos empregos deixam de ser criados.

No trabalho pela Internet esse impacto é menor devido à extensão do público abrangido. Se as compras individuais diminuem, o volume de potenciais compradores é tão gigantesco que o efeito perverso da crise fica diluído. Pode haver, setorialmente, um menor número de pessoas comprando. Mas o público abrangido que está interessado em produtos extrapola o limite de sua região de atuação, estendendo-se até mesmo a outros países.

Novamente a ignorância atrapalha

Porém, ainda há uma considerável dose de equívoco por parte das pessoas quanto ao conceito de riqueza. Novamente a ignorância atrapalhaEspecialmente quanto à riqueza produzida a partir do trabalho pela Internet, ainda incompreendido e às vezes nem mesmo encarado como trabalho sério.

Um exemplo: se alguém entra numa livraria no modelo tradicional para comprar um livro, essa rotina de compra e de venda é encarada com naturalidade. No caso da Internet, técnicas de marketing para vendas também são utilizadas, a exemplo do que acontece nas lojas físicas. Mas sempre se interpreta que o afiliado, por exemplo, está tentando empurrar um produto para venda pelo simples fato de apresentar um produto ou inserir um banner num artigo.

Desconhecimento e preconceitos

Desconhecimento e preconceitosPor que nas lojas físicas as pessoas estão vendendo e na Internet estão tentando empurrar?

Este é um óbvio preconceito contra o trabalho na Internet, infelizmente visto ainda como um comércio diferente por certos segmentos menos esclarecidos da população.

É lógico que produtos e serviços são vendidos pela Internet. E que mal tem isso? É uma forma, como qualquer outra, de comércio. Mas que exige, evidentemente, veículo específico, linguagem própria e técnicas de venda adaptadas ao veículo; no caso, a própria Internet.

Tudo no mundo todo

Em razão disso, é necessário utilizar sempre estratégias mais criativas de venda, que se direcionem especialmente às necessidades dessas pessoas que são potenciais consumidoras, mas que se veem prisioneiras desses Tudo no mundo todopreconceitos. Preconceitos que resultam, fundamentalmente, da ignorância, como em todos os casos.

As pessoas na verdade adoram comprar, mas não gostam da palavra venda. E você, pela Internet, não vende apenas produtos, mas também serviços e até mesmo ideias. Isto mesmo: ideias. Cresce no mundo o número de experts que escrevem e-books, que fazem palestras, que ministram cursos, que dão consultoria, numa infinidade de recursos à disposição do produtor.

Mercado que se amplia cada vez mais

Mercado que se amplia cada vez maisHá ainda um dado extremamente positivo: embora, em muitos segmentos, lojas e empresas estejam sendo fechadas e os empregados demitidos, na Internet tem havido uma expansão significativa da atividade econômica, por vários motivos. Entre eles, o que mais se destaca é o fato de o público com acesso ao computador e similares estar se ampliando de forma constante e expressiva. E o Brasil ocupa um lugar de destaque nesse ranking.

Já em 2015, o Brasil  tinha como previsão alcançar o posto de quarta maior população ligada à rede, superando o Japão. Caso sejam somados os computadores pessoais de mesa, os notebooks, os tablets e os smartphones, a previsão é de que 126 milhões de pessoas estejam acessando a rede. No final de 2014, esse número já ultrapassava os 107 milhões de pessoas. No mundo todo, são 3 bilhões de pessoas conectadas à Internet. E esses números apenas avançam.

Maior dedicação versus sucesso

Outro diferencial é que, enquanto nas empresas formais os empregados precisam arduamente negociar reajustes Maior dedicação versus sucessosalariais que, na maior parte das vezes, nem cobrem a inflação, o aumento de ganhos na Internet depende fundamentalmente de estudo, especialização, empenho e dedicação.

Não há ganância, não há esperteza como algumas pessoas pouco esclarecidas costumam apregoar. Vender pela Internet é uma atividade perfeitamente legítima, com a vantagem de possibilitar mais um mecanismo de distribuição de riqueza, para que ela não fique cada vez mais nas mãos de tão pouca gente.

Empenhe-se e avançará sempre

Por uma razão extremamente simples: cada vez mais a tecnologia passa a ser Empenhe-se e avançará sempreutilizada por pessoas humildes cuja renda é inexpressiva. Conhecemos ex pedreiros e ex frentistas de postos de gasolina que ganham hoje pela internet mais de 20 vezes o que ganhavam em suas antigas atividades. Todos atuam de forma honesta, numa atividade que recebe a pecha de desonesta apenas por parte de quem está contaminado pelo que temos repetido ao longo deste texto como um quase vício da atualidade: a ignorância.

ONGs podem ser honestas e desonestas. Competentes ou improdutivas. Bem ou mal- intencionadas. Assim como vendedores, advogados, engenheiros, médicos, motoristas e qualquer atividade ou profissão que se possa pensar. Mais uma vez a generalização é produto da ignorância. Da mesma forma que imaginar que a atividade na internet é desonesta. Portanto, não caia em generalizações. Você é suficientemente inteligente para não aderir à ignorância.

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