Guerra de mundos

Ler autores gringos? Vale a pena? …Vamos ser honestos: você provavelmente passa horas maratonando séries coreanas, ouvindo pop americano, jogando games criados no Japão e rolando um feed infinito com memes da Europa.

O mundo todo está na palma da sua mão. Então, por que a ideia de abrir um livro de um autor que não seja brasileiro às vezes soa… diferente?

Para muitos, a discussão sobre literatura estrangeira versus cultura local parece um campo de batalha, onde escolher um lado significa abandonar o outro.

Mas e se essa guerra for a maior fake news do mundo da cultura?

E se nós lhe provarmos que mergulhar nas páginas de autores de outros países é, na verdade, o maior hack que existe para você entender, valorizar e até amar ainda mais a sua própria cultura?

Esqueça a ideia de que ler gringos é chato ou complicado. Prepare-se para desbloquear um novo jeito de ver o mundo e, principalmente, o Brasil.

Desconstruindo o boss final: os mitos que lhe impedem de ler o mundo

Antes de embarcarmos nessa viagem, precisamos derrotar alguns chefões que assombram as prateleiras de livros estrangeiros. São aquelas ideias que todo mundo repete, mas que, na real, não fazem muito sentido.

Mito 1: “Não vou entender nada, é outra cultura!”

Essa é clássica. Estamos falando do medo de pegar um livro russo e se sentir mais perdido do que em final de série com ponta solta. Mas, pense bem: você entende as regras de um Dorama sem nunca ter pisado em Seul. Você canta junto com a Taylor Swift entendendo as gírias de um romance adolescente americano. Por quê?

Porque as grandes histórias falam de coisas universais: amor, amizade, traição, superação, a luta do bem contra o mal. As referências culturais são a skin do personagem, a lore do cenário, mas o coração da história, a gameplay emocional, é a mesma. Ler sobre as angústias de um jovem em Tóquio pode lhe conectar mais com suas próprias angústias do que você imagina.

Mito 2: “Ler autores gringos é trair a literatura brasileira.”

Essa é a famosa síndrome de vira-lata ao contrário. Equivale à ideia de que para valorizar o que é nosso, precisamos fechar as fronteiras. Mas a cultura não é um time de futebol. Você não precisa escolher entre Machado de Assis e Shakespeare.

Na verdade, os maiores autores brasileiros foram leitores vorazes de literatura estrangeira! A influência da França, por exemplo, foi gigantesca no nosso Modernismo. Eles roubaram o que havia de melhor lá fora, misturaram com o tempero brasileiro e criaram algo totalmente novo.

Ler o mundo não lhe afasta do Brasil. Na verdade, lhe dá mais ferramentas para apreciar a genialidade única dos nossos próprios autores.

Ler autores gringos

Modo Viagem ativado: os superpoderes que só a literatura estrangeira lhe dá

Ok, mitos derrotados. Agora, vamos falar das skills que você desbloqueia ao adicionar autores internacionais na sua estante (ou no seu leitor digital).

O superpoder da empatia: calçando os sapatos (e os kimonos, e as botas de neve) dos outros

A ciência já confirmou: ler ficção aumenta a empatia. Quando você lê, seu cérebro não diferencia muito a experiência de viver aquilo de fato. Ao mergulhar na vida de um personagem de outra cultura, você começa a entender as motivações, os medos e os sonhos de alguém que vive uma realidade completamente diferente.

É como fazer um intercâmbio sem sair do quarto. Você aprende que as pessoas podem rezar para deuses diferentes, comer coisas que você acha estranhas ou ter costumes familiares bizarros; mas, no fundo, a busca por conexão e felicidade é a mesma.

Essa habilidade de se colocar no lugar do outro é, sem exagero, um dos maiores superpoderes que um ser humano pode ter no século XXI.

O Google Maps da alma humana: mapeando emoções universais

  • Pense em cada livro como um novo ponto no mapa.
  • Um romance inglês do século XIX lhe mostra como o amor e o orgulho eram vistos naquela época.
  • Um suspense nórdico lhe mergulha em uma paisagem de gelo e solidão.
  • Uma fantasia chinesa lhe apresenta mitos e valores milenares.

Ao ler autores de diferentes lugares, você não está apenas conhecendo outras culturas. Você está montando um gigantesco Google Maps da condição humana. Você começa a perceber padrões, a ver como o amor, o luto, a coragem e a ambição se manifestam de formas diferentes em cenários distintos. Sua compreensão do mundo ganha uma resolução 4K.

O plot twist inesperado: ler o mundo lhe deixa… mais brasileiro?

Aqui está a virada de roteiro que poucos esperam. O efeito mais incrível de ler literatura estrangeira é o impacto que ela tem na sua percepção sobre a sua própria casa, a sua própria cultura.

O efeito espelho: vendo o Brasil com olhos de turista (no bom sentido)

Sabe quando você viaja e, ao voltar, repara em coisas na sua cidade que nunca tinha notado? A beleza de um prédio, o jeito como as pessoas falam, um costume local…

Ler um livro estrangeiro causa o mesmo efeito. Ao ver como um autor japonês descreve a relação com a família, você começa a pensar: “Nossa, e no Brasil, como é isso?”.

Ao ler sobre a Revolução Francesa, você entende melhor o peso da nossa Independência.

A literatura de fora funciona como um espelho. Ela reflete o que é universal, mas, por contraste, ilumina com um holofote aquilo que é unicamente nosso, aquilo que é o tempero brasileiro.

Você começa a valorizar o nosso jeito de falar, nossas comidas, nossas músicas, justamente por perceber como elas são diferentes – e especiais.

Decifrando o DNA da sua playlist: a influência secreta na cultura pop

Você curte a banda Legião Urbana? Renato Russo era um leitor apaixonado por poetas como o francês Rimbaud. Gosta das letras complexas do Chico Buarque? Elas estão cheias de diálogos com a literatura europeia. Assiste às novelas da Globo? Muitas delas são adaptações ou releituras de clássicos como O Conde de Monte Cristo.

A cultura não nasce no vácuo. Ela é um grande remix. A literatura estrangeira é parte do DNA da cultura pop brasileira que você já consome. Conhecer as fontes originais é como ter acesso ao material bônus, aos easter eggs. Você passa a entender as referências e a apreciar a genialidade de como nossos artistas transformaram essas influências em algo novo.

Guia rápido para começar

Seu passaporte literário: guia rápido para começar a viajar (sem medo)

Chega de teoria. Como começar essa viagem? A regra de ouro é: comece pelo que você já gosta. A ideia não é pegar um livro super complexo para parecer inteligente, mas sim encontrar histórias que lhe capturem.

Portão de embarque nº 1: o gênero que você já ama

  • Fã de fantasia e RPG? Se você ama Game of Thrones ou The Witcher, mergulhe nos livros que deram origem a tudo: As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin (EUA) e a saga de Geralt de Rivia de Andrzej Sapkowski (Polônia).
  • Curte um romance de chorar? Se você se emocionou com Como eu era antes de você, no cinema, os livros de Jojo Moyes (Reino Unido) são seu portão de entrada. Curte algo mais apimentado? Colleen Hoover (EUA) é um fenômeno mundial.
  • Viciado em suspense e terror? Stephen King (EUA) é o mestre soberano e seus livros são aulas de como prender a atenção. Quer algo mais psicológico? Experimente os suspenses nórdicos de Jo Nesbø (Noruega).

Portão de embarque nº 2: Mangás e Graphic Novels

Sim, quadrinhos são literatura! E são uma das melhores portas de entrada para outras culturas. A narrativa visual quebra a barreira inicial da linguagem e lhe transporta direto para o coração da história.

  • Ação e dilemas morais: Attack on Titan (Hajime Isayama, Japão) é muito mais que gigantes comendo gente; é uma discussão profunda sobre guerra, liberdade e humanidade.
  • História e emoção: Persépolis (Marjane Satrapi, Irã/França) conta a história real da autora crescendo durante a Revolução Iraniana. É uma aula de história em forma de arte.
  • Super-heróis com um twist: Já leu The Boys (Garth Ennis, Irlanda)? A HQ que inspirou a série é ainda mais ácida e crítica.

Conclusão: abandone o Versus, abrace o E

No final das contas, a batalha literatura estrangeira versus cultura local não existe. É uma armadilha. A verdadeira fórmula do leitor inteligente, curioso e conectado é literatura estrangeira E cultura local.

Ler o mundo não diminui seu amor pelo Brasil. Pelo contrário: expande sua mente, turbina sua empatia e lhe dá um novo par de óculos para enxergar a riqueza da sua própria identidade.

Cada livro gringo que você lê é um carimbo no seu passaporte intelectual, uma nova skill no seu repertório de vida.

Então, da próxima vez que você estiver em uma livraria ou biblioteca, não hesite. Ouse. Viaje.

A pergunta não é “o que você perde ao ler autores de fora?”, mas “quanto do mundo e de você mesmo você está perdendo ao não ler?”.

Então, qual vai ser o primeiro carimbo no seu passaporte literário? Nos diga a qual autor ou livro gringo você vai dar uma chance!

Sobre o Autor

Gerson Menezes
Gerson Menezes

Empreendedor digital com sites e com canais no YouTube de várias modalidades, Gerson Menezes decidiu reestruturar totalmente seu antigo site PegSeuEbook para focar em livros digitais cujo objetivo principal é a motivação para a transformação na vida das pessoas. Uma de suas prioridades é motivar as pessoas a descobrirem o potencial para a conquista de uma melhor condição de vida, em seu sentido mais amplo possível. (Leia mais sobre o Escritor no Menu do Rodapé deste site)

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